29.4.11

Videoterapia

A simetria das coisas:


15.4.11

Homem de verdade!

Existem regras que um homem de verdade tem de respeitar. Não falo do gênero humano. Falo dos homens. As mulheres, aí é outra coisa. Mas as mulheres também podem entender o que vou dizer. O que provarei mais abaixo.

Um homem de verdade. Você sabe quando está diante de um pelos amigos dele. Se um homem tem muitos amigos próximos, não há erro: eis uma boa pessoa. Amigos próximos, não amizades.

Um homem de verdade é leal aos seus amigos. O que não significa fidelidade. Um homem pode muito bem passar meses sem encontrar um amigo, e isso em geral ocorre por ele estar ocupado com mulheres. Não tem problema. Eles continuam sendo amigos. Nada vai mudar quando se encontrarem. A lealdade de um amigo não está vinculada à fidelidade. Com as mulheres é o contrário: elas só são leais quando existe fidelidade.

Um homem não fica ressentido com o amigo. Ressentimento é coisa de mulherzinha. Quando há algum problema, o homem chega e diz. De preferência, xingando de antemão:

– Mas tu é um viado mesmo! Como é que tu foi me fazer essa???

Quando um homem tem uma crítica a fazer, ao amigo, ele faz :

– Filho da puta!

Se um homem não pode ir a um encontro com o amigo, não há problema algum em avisar com 15 minutos de antecedência.

– Meu: não vou. Pintou uma gatinha.

– Mas que corno. Tudo bem, vou beber sozinho.

Importante: um homem bebe e se diverte com os amigos. Está presente nas horas boas. Qualquer um pode se fazer presente nas horas ruins, ir a um velório, fazer visita em hospital, mas o amigo é aquele que está sempre pronto a sair e beber e rir com os amigos.

Um homem não omite os defeitos do amigo, exalta-os:

– O Carlos tem pinto pequeno.
Um homem forma a essência da sua personalidade aos 12 anos e não muda mais. É por isso que homens gostam de piadas, de jogar palitinho e de dizer besteira. Um homem de verdade diz besteira.Um homem pode ficar chateado com seu amigo – por cinco minutos. Um homem pode falar mal do seu amigo – na frente dele. Um homem pode até chorar diante de um amigo – desde que não se importe que o amigo o chame de bichinha. Se a sua mulher não gosta dos seus amigos, cuidado: ela não gosta de você.

Um homem de verdade é leal até com seus inimigos. Ciladas são coisas de mulherzinha. Mas uma mulherzinha é diferente de uma mulher de verdade. Uma mulher de verdade sabe, ou intui, que um homem tem de ser como descrevi acima.”


Ótimo texto do Testosterona.

12.4.11

A importância de um oi

Ele em sua camisa forçada, seus 20 e poucos anos, mas com aquele espírito de adolescente, vontade de trocar o cinto apertado e o crachá por uma calça jeans surrada combinando com seu velho All Star e sentindo saudades do seu cabelo cumprido e do tempo que sua maior realização seria uma tatuagem para estampar sua rebeldia.
Hoje trabalhando em uma grande empresa, assumindo o papel de gente grande, ganhando responsabilidades e com medo de crescer tarde de mais.
E Ela. Ela não se sabe. Morena, cabelos lisos bem cuidados e sempre bem arrumada e de ar sério. Mas isso é o que se vê, mas quem seria ela de verdade? Talvez uma simples estudante estagiária, ou quem sabe uma advogada ou até mesmo uma grande executiva. Mas e sua essência? Teria ela também uma porção de dúvidas e incertezas? Seria ela insegura, ou pelo contrário? No alto de seus sapatos seria cheia de si mesma e com a certeza de que poderia conquistar o mundo?
Estaria ela sozinha ou acompanhada? Quem sabe guarda no coração um amor não correspondido.
Mas eles se encontram! Sim. Todas as manhãs, na parade de ônibus, rotineiramente e ás vezes até sentam próximos. Chegam a se pexar também no horário de almoço, já que irônicamente também descem na mesma parada pois trabalham no mesmo prédio. Ele o mesmo sonhador de sempre, mas e ela? Continuamos sem saber.
Dias passaram, talvez até meses, em que aqueles minutos na viagem diária dentro do ônibus eram intrigantes e instigantes.
Até que um dia ela parou de pegar o ônibus. Mudou de emprego? Foi demitida? Promovida? Apenas fazendo outro horário? Quem sabe mudou de cidade?! Também não se sabe! Só se sabe que o sonhador ficou mais uma vez com seus inúmeros sonhos.
Custava ter dado um oi?

23.3.11

O homem que não sabe amar

Os fatores que diferem as reações sentimentais, emocionais e até físicas já foram exemplificados em centenas de livros, filmes e artigos. Psicanalistas explicam que a paixão, quando iniciado, gera uma imagem irreal do parceiro. É algo como o que você sonha com o que ele seja. Com o passar do tempo, e a veracidade explicita e inevitável das personalidades, você vai entendendo que nem tudo são flores. Caso as coisas boas sobressaiam as ruins, o rumo natural é seguido. Se não, um botão eject é acionado e, mesmo que aos poucos, a separação é inevitável.

Essa fase de reconhecimento do território não tem um prazo de atuação. Por mais que isso seja frustrante, não há uma validade ou cronograma exato de ações que farão as coisas terem alguns sentidos. Apenas surge, acontece e passa. Quem vive isso tem um dom: o de amar. É um cara bom, bem intencionado, que vai conhecer, se apaixonar, amar e seguir uma vida recheada de satisfação e amor a família. Esse é o cara limpo. O que um dia já foi sujo, bom, esse dificilmente será corrigido.

O amor dos homens tem um problema bastante serio e único: é absolutamente descartável. O homem ama uma vez. A segurança masculina traça uma linha continua de planos e desejos a partir do primeiro estalo. É quebrado ali um pino de segurança. A paixão deixa o homem totalmente despreparado e suscetível a qualquer acidente no caminho. Basta uma, uma única desilusão para que tudo o que foi aprendido nos filmes da Sessão da Tarde e na música pop inglesa dos anos 80 faça algum sentido: o amor não existe.

Assim surge um novo formato de ser humano. O homem que não sabe amar. Esse homem, assim como citaram psicanalistas maconheiros do século retrasado, é vitima de uma desilusão, apunhalada, traição, mentiras - chame como você quiser -, enfim, de uma sacanagem não literal da incauta que o apresentou ao romance. O homem que não sabe amar sofre de um grave trauma psicológico que gera uma dificuldade enorme de encara relacionamentos logos.

O sofrimento gera monstros. Esse tipo de resultado é capaz de destruir aquilo que foi planejado, desejado e conquistado com o maior esforço do mundo. Não importa o tamanho da satisfação adquirida e convivida com o passar do tempo. Nada supera a dor de um não, a insegurança de uma nova tristeza ou a fraqueza que impede um primeiro passo. O homem utiliza esse sentimento como defesa para evitar um novo desastre. O problema, o maior de todos os problemas, é que essa dor é deliciosamente viciante.

São vitimas do passado obscuro os que preferem o sofrimento de uma paixão incerta e platônica a segurança de um amor garantido e de balões coloridos. Como entender? Não, isso não se explica. E o pior: se explicar perde a graça. As certezas são poucas. Poucas e exclusivas. Ninguém gosta de tocar nesse assunto. Prefere viver e exemplificar em atos o que sente.

Basta observar. A partir de hoje, experimente observar. Cada vez mais o homem não quer um amor para amar. Mas sim, um amor para sofrer.

É na fossa o sentido se faz presente.

22.1.11

Perfeita Simetria

Toda vez que toca o telefone
Eu penso que é você
Toda noite de insônia
Eu penso em te escrever
Pra dizer
Que o teu silêncio me agride
E não me agrada ser
Um calendário do ano passado
Prá dizer que teu crime me cansa
E não compensa entrar na dança
Depois que a música parou
A música parou (parou)
Toda vez que toca o telefone
Eu penso que é você
Toda noite de insônia
Eu penso em te escrever
Escrever uma carta definitiva
Que não dê alternativa
Prá quem lê
Te chamar de carta fora do baralho
Descartar, embaralhar você
E fazer você voltar
Ao tempo em que nada
Nos dividia
Havia motivo pra tudo
E tudo era motivo pra mais
Era perfeita simetria
Éramos duas metades iguais
Ao tempo em que nada
Nos dividia
Havia motivo pra tudo
E tudo era motivo pra mais
Era perfeita simetria
Éramos duas metades iguais
O teu maior defeito
Talvez seja a perfeição
Tuas virtudes
Talvez não tenham solução
Então pegue o telefone
Ou um avião
Deixe de lado
Os compromissos marcados
Perdoa o que puder ser perdoado
Esquece o que não tiver perdão
E vamos voltar aquele lugar
vamos voltar

Ao tempo em que nada
nos dividia
Havia motivo para tudo e tudo era motivo para mais
Era perfeita simetria
Éramos duas metades iguais.

16.1.11

Não ame!

É sério! Afirmo categoricamente: Não Ame!
O que o amor nos traz? Em um primeiro momento ficamos bobos, eufóricos, cheio dos sorrisos. Cumprimentamos os vizinhos mais felizes, os problemas parecem não pesar mais tanto, as horas no trabalho parecem passar mais rápido, o final-de-semana parece ser mais diveritido. Mas e depois? Porque uma hora acaba. É inevitável, afinal o que mais escutamos são histórias de amores imperfeitos, fulminantes que acabaram deixando os envolvidos lastimados, de coração empedrado e isso acaba afetando não só a pessoa, como quem está na volta.
Tudo tem um fim, e o "pra sempre", sempre acaba diria Cassia Eller. Nosso maior erro, é achar, e crer que o amor tem garantias, que ele irá superar todas nossas expectativas e acabamos esquecendo que o relacionamento é composto por pessoas, por seres humanos que são imperfeitos, incostantes e de pensamentos voláteis. E quando uma destas pessoas por "n" motivos resolve mudar seus pensamentos, e suas promessas já não se tornam tão atraentes de cumprir, o encanto acaba e aí vem o sofrimento.
Esse sofrimento que vem junto com uma dor apertada que parece que crava em ti, e toma mais tempo dentro do teu pensamento do que o sentimento que te fazia sorrir antes da outra pessoa acabar. Esse aperto eu diria que é mais forte que o amor, pois é da natureza do ser humano lembrar mais das coisas ruins do que das coisas boas, e o que acaba restando é apenas a experiência de uma relação que não deu certo e a lembrança ruim de uma coisa que supostamente foi boa.
E é aí que chegamos a grande pergunta: Vale a pena? Vale a pena passar por todas situações, se abrir, deixar a outra pessoa saber tudo de ti, fazer parte da tua vida, compartilhar segredos, pra um dia acabar e restar mágoa e um sentimento de que poderia ter sido melhor?
Muitos vão categorizar este texto como amargurado, mesquinho e todos substantivos e qualificações possíveis. Mas acho que estas são pessoas que amam fácil demais, ou que não amaram de verdade, o que no final das contas é mesma coisa.
Voltamos nossas energias para a carreira, para os estudos, para os amigos, familia e tudo mais. Mas a maior parte dos nossos pensamentos e energia, são voltados para o amor, a alma-gêmea, e quando se perde isso, todo o resto fica afetado, por isso eu respondo a pergunta acima com a mesma afirmativa em que comecei este texto: Não vale!

8.1.11

Se escrevo agora, é tão somente para dar notícias de como anda minha saúde – ou melhor, minha doença.

A primeira coisa que posso dizer é que estou vivo – e isso você pode já ter percebido, considerando que estou escrevendo aqui.

A segunda coisa é que não sei ainda por quanto tempo. Talvez uns dias, talvez muitos anos. Isso nós nunca podemos precisar – a não ser que eu escreva um livro ou vire presidente do Senado e, assim, seja nomeado para a Academia Brasileira de Letras.

A terceira coisa que tenho a dizer sobre minha saúde é que a tosse ainda não melhorou. Continuo tossindo constantemente, apesar de estar bebendo litros de xarope diariamente. Do xarope, eu falo logo mais.

O fato é que tenho me medicado. O mais difícil tem sido passar Vick Vaporub nas costas. Tentando fazê-lo, tive uma espécie de torção estranha nos dois braços e nunca mais saí da posição. Desde então, tenho precisado fazer tudo com as mãos nas costas. Literalmente.

É como se eu estivesse algemado. Lembro bem dessa sensação, de quando fui preso por terem me confundido com um sujeito que havia devolvido a fita cassete na locadora sem rebobinar. Colocaram o FBI atrás dele e os agentes pensaram ter sido eu, por conta do começo com a letra "I" no nome: meu nome é Iuri e ele se chamava Ivolanda. Felizmente, tudo foi esclarecido antes que eu fosse para a solitária. As leis quanto à devolução de fitas cassetes não-rebobinadas são sérias.

Mas não é isso que vem ao caso.

Escrever não tem sido difícil. Uso o nariz para as letras e desenvolvi uma técnica para apertar o “shift” com as pontas das orelhas – podendo, assim, digitar as maiúsculas com certa agilidade que o “caps lock” não me permitiria ter.

O chato mesmo é trocar a camisa com as mãos presas atrás. Inexplicavelmente, eu até consigo colocar uma camisa nova. Mas para tirar, só estufando muito o peito e rasgando. Como o Hulk.

Tenho rasgado muitas camisas e agora só me restam umas camisetas de bandas obscura de foxtrot dos anos 30. Aquilo sim é que foi tempo para se viver.

De qualquer modo, os médicos deram um diagnóstico: pode ser escorbuto ou a Peste Negra. Receitaram que eu fosse queimado em uma fogueira, mas eu abri uma exceção nesse caso e resolvi adotar a medicina alternativa.

Tenho tomado bastante chá, mel e deitado meu corpo em brasa. O xamã garantiu que funcionaria melhor que o xarope e o Vick Vaporub. Não é o melhor dos xamãs, mas é o único que o plano de saúde cobre.

Com a tosse, ando pensando muito na minha morte. Quero o Requiem de Mozart no meu funeral. Já encomendei a orquestra para tocar o Kyrie e o grupo cubano para executar o Confutatis – sempre achei que essa parte da obra pedia uma certa malemolência latina.

Também vi recentemente um trecho de o Sétimo Selo e espero, sinceramente, que a Morte não apareça para jogar xadrez comigo. Nunca consegui jogar xadrez, porque acabo irritando o adversário: sempre que movo o cavalo faço o som do galope (“pocotó, pocotó…”) e dizem que isso não é de bom tom.

Mas se ela, a Morte, topar me fazer companhia para uma partida de Imagem & Ação, aí talvez seja uma boa.